Este espaço surgiu para relatar alguns casos que vão acontecendo diariamente no Centro de Saúde onde trabalho, bebés e crianças, e para dar voz às dúvidas dos pais e educadores. Assim, deixem as vossas dúvidas ou comentários!!!
domingo, 31 de agosto de 2008
O meu bebé chora porque está cheio de fome.....
Os bebés são inteligentes e sábios...." se eu chorar a mamã dá colinho e maminha..." e conseguem com isto ter sempre a atenção e o mimo da sua mãe, o que é absolutamente natural.
Mas os bebés choram por vários motivos : fralda suja, cólica, fome, sede, mimo e atenção, desconforto causado por algum objecto ( roupa ou outro ), e têm no choro a sua forma de manifestar o seu descontentamento.
Depois o que eles sabem fazer bem é mamar - o reflexo de sucção é um dos que nasce com o bebé, o que faz com que ao coloca-lo á mama o bebé vá sempre mamar - daí assumpção de que o bebé está com fome.
Mas isto pode ser um revés na amamentação. E porquê?
Podemos transpor estas mamadas com curtos intervalos de tempo ( as vezes de hora a hora ) para a ideia de se estar sempre a petiscar o que leva a que não se faça uma refeição de forma conveniente.
Exemplo prático :
veio á consulta um menino lindooooo de 18 dias, mas que a mãe referia que mamava de hora a hora, uns minutitos e depois adormecia.
Primeiro pesamos e registamos peso no boletim de saúde e combinei com a mãe passados 5 dias regressar para nova avaliação de peso.
E dei um conselho: mãe vai custar, mas vai deixar o bebé chorar e de certa forma obrigá-lo a fazer um intervalo de 2 horas. Cante, passeie com ele, brinque, mas tentar que ele não mame com tanta frequencia. Verificar se ele mama mais ou menos 15 minutos em cada mama e confirmar se ele fica tranquilo - sinal de saciedade.
A mãe muito atenta levou o conselho á letra e na vinda seguinte disse-me que tinha sido um sucesso, pois o reguila fazia mamadas em condições e já por ele fazia o intervalo adequado.
Então tiramos a dúvida com nova pesagem e não é que o moçoilo aumentou 35 gr por dia... a mãe nem queria acreditar.
Por vezes este truque nem sempre resulta pois os bebés são diferentes... se por ventura não aumentasse de peso e com uma tolerancia de mais uns dias poder-se-ia ponderar a introdução de suplemento.
Sabe-se que para que haja um aumento adequado de peso o bebé deverá fazer 8 mamadas nas 24 h, pelo que um bebé mais preguiçoso deve ser acordado e um mais reguila como o anterior arranjar estrategias para que não faça da mama uma chucha.
Amamentar não é facil, por isso ás mamãs se pede paciencia e persistência para que possam dar o melhor dos alimentos aos seus filhos.
É claro que uma mãe que não possa ou não queira amamentar não é menos mãe...e como profissional de saúde não julgo as decisões tomadas, mas apoiando sempre que seja solicitada...
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Artigo:Cólicas fazem sofrer recém-nascidos

O que é?
A cólica, normalmente, caracteriza-se por episódios de irritabilidade, agitação e choro. Podem durar cerca de três horas por dia, surgindo três a quatro dias por semana, ao fim da tarde e noite. Afecta bebés com idades compreendidas entre os 15 dias e os 4-5 meses. Os pais, ao constatarem que o recém-nascido sofre, ficam nervosos, angustiados, ansiosos e, por vezes, sem saber o que fazer para atenuar a dor do bebé.
Quando o bebé tem cólicas apresenta um choro muito intenso, fica congestionado, ruborizado, tende a encolher as pernas, a barriga fica espástica, tem muitos gases e, por vezes, prisão de ventre.
«Para dizer que se trata de cólicas temos de excluir outras causas, por exemplo, se tem fome, ou se está desconfortável, e é importante que a mãe tenha a noção de que a criança, às vezes, chora porque quer que lhe prestem atenção», diz o Dr. Herculano Rocha, chefe de serviço de Pediatria do Hospital de D. Maria Pia, no Porto.
Além do mais, o Dr. Martins Roque, pediatra, director do Departamento de Medicina do Hospital de D. Estefânia, explica que «um recém-nascido tem o seu período de adaptação ao exterior, normalmente, com a duração de dois ou três meses. O choro está, muitas vezes, ligado à intenção do bebé chamar a atenção ou reclamar, seja contra o frio, o calor ou contra a dor. É neste fenómeno que se pode inserir a cólica, que se traduz por um choro intenso, sendo difícil sossegar a criança».
Solução
Acalmar o bebé, tranquilizar os pais Embora não haja consenso entre os especialistas em relação ao tratamento das cólicas, é importante diminuir a ansiedade da mãe, dizer-lhe que o problema é passageiro e, obviamente, acalmar o pequeno ser.
«Antes de qualquer procedimento, a mãe deve falar, acarinhar e manter uma interacção positiva com a criança, uma vez que não existem certezas sobre a causa das cólicas e, como tal, não há um tratamento adequado», salienta Herculano Rocha, prosseguindo:
«Não há medicamentos específicos para as cólicas, mas sim os que interferem na motilidade intestinal, ou medicamentos como o Aero-om, que tendem a diminuir os gases.»
«O Aeoro-om ajuda a acalmar a criança», explica Martins Roque, argumentando:
«A verdade é que para muitos pode parecer inócuo, mas verificamos que ao parar com o medicamento as cólicas voltam. Não sabemos se é por razões psicológicas, mas a verdade é que funciona.»
Por outro lado, o Dr. Libério Ribeiro, pediatra e presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, indica que «não há nenhuma panaceia totalmente eficaz para as cólicas do lactente. A educação dos pais nas relações com o filho é o primeiro passo e talvez o mais importante. O aleitamento materno e a utilização de leites especiais podem ser necessários. A administração de chás de ervas (maçã, anis, camomila, canela e menta) é aconselhada por alguns médicos, embora de resultados discutíveis».
«Há medicamentos em gotas que, pelo seu efeito antiespasmódico ou antiflatulente, conferem algum alívio ao bebé», continua Libério Ribeiro, acrescentando:
«Medidas como massajar a barriga do bebé ao mesmo tempo que se flectem os joelhos sobre o abdómen, ou deitar o bebé no colo de barriga para baixo, podem ajudar a aliviar as cólicas. No caso de haver prisão de ventre, podem ser utilizados medicamentos tipo laxante, que aceleram o movimento do intestino, mas nunca devem ser dados sem prévia indicação do pediatra.»
As causas exactas das cólicas não são conhecidas, mas são colocadas várias hipóteses: alguns especialistas apontam a alergia ao leite materno, ou aos leites artificiais, mas a verdade é que quando se faz a substituição o problema não fica resolvido.
Outra explicação para a ocorrência de cólicas tem que ver com a dificuldade na eructação e na passagem do ar através do intestino, havendo também quem «responsabilize» a imaturidade do aparelho digestivo e a alimentação. Existem, ainda, estudos que indicam que o final de uma gravidez com angústia e ansiedade se reflecte no recém-nascido através do choro e das cólicas.
Todavia, não é um problema grave. Além disso, é passageiro.
«É fundamental a nossa capacidade de tranquilizar os pais, de lhes dizer que a criança está bem, que não tem nenhum problema de saúde e que não há razão para estarem preocupados», alerta Herculano Rocha.
Sofia Filipe - Médicos de Portugal.com