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terça-feira, 10 de março de 2009

Infertilidade: Médicos e doentes alertam para perigo do "crescimento desenfreado" de privados

A Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR) e a Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) consideram preocupante o "crescimento desenfreado" de clínicas privadas nesta área, não encontrando razão para a abertura de novas unidades.




O presidente da SPMR, João Silva Carvalho, disse à Lusa que Portugal tem actualmente 26 centros de Procriação Medicamente Assistida (PMA), públicos e privados, mas que, a manter-se o ritmo das novas aberturas, serão 35 a 40 dentro de pouco tempo.

"Teremos 35 a 40 centros para dez milhões de habitantes, o que é muito mais do que os nove que existem na Bélgica" (que tem a mesma população), e que "dão uma resposta mais eficaz" do que a dada actualmente em Portugal, onde os centros públicos acumulam uma lista que obriga a tempos de espera superiores a dois anos, segundo o especialista.

Para João Silva Carvalho, existe uma "certa anarquia" na abertura de novos centros, apesar destes precisarem de "avultados investimentos": além dos 26 centros actuais, vão abrir mais no Porto, Coimbra, Faro, Covilhã e Almada.

Este crescimento também não é bem visto pela APF. "Preocupa-nos imenso a multiplicação indiscriminada e geograficamente irracional das clínicas de fertilidade, em especial no sector privado".

A associação lembra que "todos os estudos internacionais, em qualquer área da saúde, demonstram que a dispersão de meios humanos e técnicos resulta em desvantagens para os doentes, em todos os planos".

"Mais do que isso", afirma a associação, "esta explosão de pequenas clínicas deve-se em boa parte aos critérios minimalistas que regulam a sua autorização pública".

"Compreendemos e congratulamo-nos com o desejo que o Estado manifesta em manter uma parte significativa da PMA, mas neste ponto cumpre ao próprio Estado diversificar, agilizar e qualificar os centros públicos, de modo a responder às necessidades da população e fazer bom uso do orçamento público", afirma a APF.

in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1368498

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Nasceu o primeiro bebé concebido após um transplante de ovário


Uma rapariga saudável de 3,6 quilos e 54 centímetros foi o final feliz da gravidez de uma mulher de 38 anos que vive em Londres e que recebeu um transplante de ovário, doado pela sua irmã gémea

Boas notícias: o parto foi ontem de cesariana, a bebé está bem e a mãe também. Mas, afinal, o que é que este bebé nascido em Londres tem de especial para ser notícia? É o primeiro a nascer após um transplante de ovário. Antes, apenas tinha sido conseguido fazer com sucesso transplantes de tecido de ovário. Na lista dos nascidos após o recurso a tecido de ovário transplantado, o primeiro também foi uma rapariga, a belga Tamara Bouanati (na foto).

A identidade da mãe deste bebé especial não foi revelada mas sabe-se que o transplante de ovário ocorreu após ter entrado na menopausa com apenas 15 anos devido a problemas nos ovários. No ano passado, esta mulher acabou assim por receber um ovário da sua irmã gémea (que já tem dois filhos). A cirurgia inédita foi levada a cabo por Sherman Silber, especialista do Centro de Infertilidade de St Louis, Missouri.

O cirurgião removeu o ovário (do tamanho de uma noz) e implantou-o na mulher que agora deu à luz, após ter conseguido unir os minúsculos vasos sanguíneos com menos de um terço de um milímetro de diâmetro e, assim, restabelecer a circulação sanguínea. Três meses depois esta mulher começou a ovular e cinco meses depois os seus níveis hormonais estavam normais.


mais em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1349771

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Casais inférteis continuam sem o apoio prometido

é uma vergonha... mas infelizmente, como tantas outras coisas prometidas pelos nossos governantes, esta é mais uma que ficou concretizar.

"Um ano depois de o primeiro-ministro ter anunciado o arranque, em 2008, do programa especial de incentivo à Procriação Medicamente Assistida (PMA), a Associação Portuguesa de Fertilidade organiza hoje uma original acção de sensibilização em frente à Assembleia da República. É uma manifestação com carrinhos de bebés vazios, para protestar contra o atraso no apoio prometido para este ano às pessoas com problemas de fertilidade.

Os responsáveis da associação lembram as contas feitas pelo ex-ministro da Saúde, quando este anunciou a concessão de apoios aos casais que necessitam de tratamentos de PMA para poderem ter filhos: "1 750 crianças poderiam ter nascido" já este ano, caso estes incentivos tivessem sido concretizados.

A comparticipação estatal de uma parte dos tratamentos em centros privados foi adiada para 2009. Este ano estão a avançar as obras de adaptação nos centros públicos que fazem PMA, situação que está a dificultar ainda mais os tratamentos no Serviço Nacional de Saúde e a agravar a lista de espera. "


In Público de 29.10.2008
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1347926&idCanal=62